CONGRESSO MUNDIAL DE ORAÇÃO PELA VIDA!
Fátima, 4 a 8 de Outubro 2006
"Maria, a Vós confiamos a causa da vida"
(João Paulo II, Evangelium vitae 105)
Nr. 13
8 de
Outubro de 2006, Dia Mundial de Oração pela Vida
Sr. Bispo D. Serafim
A Sagrada Família na Aparição de 13 de Outubro de
1917
Saúdo e cumprimento todos os
Organizadores e Participantes deste Congresso pela Vida, que é reflexão e
acção.
Falarei sumariamente da família, com
base na visão que os pastorinhos tiveram no dia 13 de Outubro de 1917.
Simbolicamente começarei por lembrar o
que disse Job: “Precisei de dois peitos que me amamentaram e de dois joelhos
que me acolheram” (3,12).
Sobre as visões e aparições de Fátima,
convirá ter presente que o Bispo da Diocese declarou “dignas de crédito as
visões das crianças na Cova da Iria nos dias 13 de Maio a Outubro de
Esta declaração, parece óbvio, abrange
todo o conjunto do acontecimento, cuja veracidade foi sucessivamente confirmada
pela autoridade pontifícia.
Conta a Irmã Lúcia: “Desaparecida Nossa
Senhora na imensa distância do firmamento vimos ao lado do sol (1) São José com
o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. São José com o
Menino pareciam abençoar o mundo” (2).
É óbvio que não vamos ocupar-nos das
cores das vestes, nem averiguar se o Menino seria da idade da filha do José das
Neves.
Tudo leva a crer, parece intuitivo, que
a visão da família de Nazaré significava um apelo forte a favor da instituição
que é a célula básica do indivíduo e da sociedade. A família sempre
teve as suas crises e mudanças. Mas é insubstituível. Todos sabemos e
sentimos que o amor dos esposos no agregado familiar (nas linhas
ascendente-descendente e lateral-vicinal) ganha todas as prioridades. É aí que
se relacionam e frutificam os dons do amor e da vida (CFR. GS 52 e FC 21).
A própria Irmã Lúcia, a respeito da sua
família e dos seus primos, escreve: “A (minha) Mãe dizia que o matrimónio era a
árvore da vida que Deus tinha plantado no jardim do mundo e que o fruto dessas
árvores eram as crianças, que era preciso criá-las com muito amor” (Memórias,
6ª, 9). Muitas vezes refere o carinho dos pais e de toda a família.
Nos seus “Apelos da MF”, a Irmã Lúcia
cita Bem-Sirá, que diz: “Quem honra o pai alcança o perdão dos seus pecados e
quem honra a mãe é semelhante àquele que acumula tesouros” (3, 3-4).
Nesta citação está contida toda a
mensagem da Bíblia e da Vida. Por sua vez, o mandamento de honrar pai e mãe,
bem como os legítimos superiores, encerra a obrigação de corresponsabilidade. É
um apelo à beleza harmoniosa e solidária da vida em comunidade, a começar pela
própria base que é a família.
Se a Família de Nazaré pode ser
apresentada como referência ou modelo, o ícone da Trindade aponta para a
unidade. As pessoas distintas formam uma família. A comunhão é a palavra de
ordem.
Os pastorinhos, ao verem as imagens de
Maria, José e o Menino a darem a bênção ao mundo, perceberam que as partes são
células vivas de um todo que é toda a humanidade. Ao mesmo tempo pensaram e
rezaram que haja, quando antes, “um só rebanho e um só pastor”.
O saudoso Papa de Fátima legou-nos a
exortação apostólica “Familiaris Consortio” (22-11-1918) e repetiu que a
família deve tornar-se aquilo que é, pois que a vê deformada. E todos nós vemos
caricaturas e destroços. Queremos que a instituição da família como berço e
escola, refúgio e santuário. Rejeitamos e combatemos as fracturas e os
atropelos. Temos presente que João Paulo II proclamava que a missão da Igreja é
o homem. Não se trata de um átomo perdido, mas de um ser vivo e bem integrado
na família humana.
Do magistério pontifício da actualidade
bastará transcrever uma breve citação da homilia da Missa em Valência, aquando
do 5º encontro mundial das famílias (9-7-2006). Diz: “A família, fundada no
casamento indissolúvel entre um homem e uma mulher, exprime a dimensão
relacional, filial e comunitária”. E acrescenta que a família “é o espaço onde
se pode nascer com dignidade e desenvolver-se de forma integral”. Contra todas as agressões e
transgressões, urge erguer bem alto a voz do dom senso.
O CIC ensina: “A comunidade conjugal
assenta sobre o consentimento dos esposos… e forma, com os seus filhos, uma
família” (2201-2202).
Esta comunidade é anterior à tribo e ao
Estado. Precisa de ser defendida e promovida. Por isso, declara o Vaticano II
que a autoridade civil deve considerar como sua grave obrigação “reconhecer e
proteger o matrimónio e a família” (GS47 e 52).
Perante a clareza e a força dos
princípios, a autoridade legislativa e de governo não pode hesitar no serviço
social para o bem integral de todos os cidadãos e em todas as etapas do seu
percurso.
Os novos Estatutos do Apostolado
Mundial de Fátima estabelecem no artigo 2 que o seu grande objectivo é “a
promoção da autêntica doutrina da Igreja Católica”.
Não vamos analisar o conteúdo e as
circunstâncias do adjectivo da “doutrina”, nem será ocasião de comparar com o
MMF, mas importa sublinhar os pressupostos de fidelidade total e coerente à
doutrina da Igreja, em todas as partes da sua grande área, desde a dogmática
até à social. A ligação à Hierarquia e nomeadamente ao Conselho Pontifício pró
Laicis e pró Família é o penhor. Outros movimentos, por exemplo a HLI e outros são de
louvar e apoiar.
Todos sabemos e repetimos que a
Mensagem de Fátima é o Evangelho. E a Pastoral que se pratica neste Santuário
mariano é notoriamente cristocêntrica. Cristo está no altar e no ambão. Com Ele
estão o Pai e Espírito Santo. A Mãe ocupa um lugar muito especial.
E José? Para além do Catecismo (437),
toda a vida da Igreja fala de S. José e a basílica do santuário de Fátima
dispõe de uma ampla capela que lhe é consagrada. Na colunata norte há uma
capela da Sagrada Família e no grande recinto o novo presépio (do escultor José
Aurélio) é mais um sinal que se junta às “casas” dos pastorinhos em Aljustrel a
apelarem para a dignidade e unidade da indiscutível instituição que é a
família.
Resta acrescentar que o óleo que
lubrifica e frutifica a família é o amor… E o fruto saboroso que nasce da
família é a Vida, a redoma da Paz. Com todos os participantes neste congresso
“pela Vida”, rezo com esperança e em comunhão com o Papa: “Maria, a Vós
confiamos a Cauda da Vida” (EV 105).
E termino com uma lembrança ou um apelo
da Irmã Lúcia: “Um lar deve ser como um jardim onde desabrocham novos botões de
rosa que trazem ao mundo a frescura da inocência, o olhar confiante na vida e o
sorriso da juventude… Por isso, na mensagem de Fátima Deus nos chama a volver o
nosso olhar para a Sagrada Família da Nazaré, modelo a imitar na senda dos
nossos passos de peregrinos” (3) do tempo para fora do tempo.
Que este Congresso, a HLI e o AMF sejam
sinais sacramentais de bênção para as famílias e de tónico fecundo para toda a
família humana. Ámen.
Fátima,
8 de Outubro de 2006
(1)
Cfr. longa bibliog. sobre o milagre do sol,
nominatim Gunther Stolze in “Und die Sonne tanzte über
(2)
Memórias da Irmã Lúcia, 7ª
edição, pág. 174
(3)
Apelos da Mensagem de
Fátima, 2000, 158.
Esboço de um poema conclusivo
O sábio Job dizia:
Eu precisei de dois
seios,
de dois joelhos
também.
Isto é sabedoria.
Podemos dispor dos
meios
que fazem o nosso
bem.
Os dois seios
amamentam,
dão amparo e dão
guarida.
São cibos que
alimentam
todos os filhos que
chegam
à aventura da vida.
Dois é número
plural.
Um colégio requer
três
em funções
comprometidas.
O lar monoparental,
é um facto tanta
vez,
mas não beco sem saídas.
Celebrar dia do pai
na festa de S. José
talvez cause
confusão.
Os mistérios,
pasmai!
Recebem luz da Fé
e morrem no coração.
Ícone dum lar feliz
no tempo e no espaço
é o lar de Nazaré.
O povo sabe o que
diz:
Quem vive num
abraço?
Jesus, Maria e José.
Fátima, 7 Outubro
2006
MO de N.Sra. do
Rosário